O instante exato

Quando a chave vira?

Quando o amor começa ou termina?

Qual foi a palavra, a atitude exata que te fez se apaixonar por alguém ou deixar de senti-lo?

Isso é tudo tão sutil.

Às vezes você nem percebe. Mas, no nosso caso eu lembro.

Eu lembro o dia, o momento exato em que você deixou de ser um amigo, e lá no meu interior eu te olhei com um desejo novo.

A chave virou em segundos.

Foi um domingo na praia. Te vi brincando com seus sobrinhos de um jeito tão amoroso que acho que despertou meu lado mais maternal  e  que nem eu sabia que tinha.

Engraçado eu saber disso, parece que ouvi  a moedinha caindo e naquela hora soube que íamos ter algo.

E vivemos um “amor”.

Entreguei-me de  corpo e alma até as entranhas e senti  como se aquilo fosse eterno.

Mas ao longo do caminho as coisas mudaram.

E ao contrário do começo eu não sei o instante exato em que acabou.

Mas de repente, ou melhor, depois de tantas coisas eu simplesmente não sinto mais.

Como num estalar de dedos, como num passe de mágica, a chave virou novamente.

Provavelmente não foi de um dia pro outro e muito menos mágica, mas sim, o resultado de vários e vários dias de isolamento e reflexão até meu coração aceitar o que minha cabeça dizia.

E assim, o ciclo finalmente termina.

E a vida segue.

E então, inesperadamente a chave do recomeço e de novas histórias se acendeu também.

A recém solteira e o drama do 1° encontro…

Depois de vários e vários fins de semana acompanhada apenas de seu gato e netflix, você decide finalmente voltar a ver a luz.

Aquela vontade de se arrumar, de se sentir sexy e radiante começa a voltar. Quase como um milagre, você sente que está voltando à vida.

O ar volta a encher os seus pulmões.

Você finalmente consegue se imaginar junto a mais pessoas, rindo e conversando sem nenhuma fuga mental para o passado durante as conversas.

Você decide parar de fugir dos vários convites para sair com suas amigas.

E começa a considerar a possibilidade de sair com um desses caras que vivem te mandando um “oi”.

E então, depois de tanto tempo sem sair, sem flertar, sem paquerar alguém você decide tentar…

E lá vamos nós!

Bora lá garota, escolhe uma roupa!

Sexy demais, comportada de mais…Oque eu devo vestir? Ai meu Deus, eu não sei mais fazer isso… ( desespero e risos).

Tá, vamos lá… Só seja você! Não pode ser tão ruim, é só um amigo, se você gostar ok, se não gostar ok também. Sem expectativas.

E lá vai ela, se sentindo linda, porém sem ter certeza do que está fazendo.

Será que eu estou pronta pra isso? E se ele vir me beijar,será que eu deveria? E se eu beijar ele e for ruim? Droga! Se for ruim vou ficar com saudades do meu ex.

 Ai meu Deus, melhor nem deixar nada rolar hoje. Só conversar, só isso. (Ela repete mentalmente)

E assim vai ela, com um milhão de pensamentos confusos e um certo receio.

Uma cerveja aqui, uma cerveja ali.

E não é que está divertido?

Fazia tempo que não flertava, esqueci como isso é bom (Ela pensa).

E depois de horas conversando, muitas risadas, alguns micos e gafes, você lembra que não é nenhum bicho de sete cabeças e sente um alívio em ver que sim, você ainda sabe ser você e ainda sabe rir de você mesma.

Haaa e pra sua sorte, foi muito legal..

Um tempo para respirar

Eu não preciso de você, na verdade no momento não preciso de ninguém.

Eu até quero, mesmo, ter alguém de novo um dia. E acho mesmo que vou encontrar alguém que seja bom pra mim.

Mas eu não preciso agora.
Não preciso sair desesperada pra achar alguém para “ tampar” o buraco que você supostamente deixou, porque na verdade não há.
(Eu já curei minhas feridas)
Então, eu não tenho pressa.

Eu não fiz contas em aplicativos de namoro.
Não to caçando amigos de amigos.
E nem marcando encontros.
Até tem alguns ex ‘s paqueras que reapareceram e conversar as vezes é legal. Mas eu não quero nada agora.

Acho que há muito tempo eu não me sentia tão em paz.

Me sinto bem comigo mesma, com meu corpo, com quem eu sou e com a minha vida.

Tenho ocupado meu tempo com minhas coisas, cuidado de mim, da minha casa e focado no meu trabalho.

E quando a saudade vem, eu escrevo. Às vezes eu choro um pouquinho, porque sou humana e apesar de não parecer, não faz nem 2 meses que a gente se desconectou.

Pois é, isso é estranho também.
Faz menos de dois meses. Às vezes sinto como se tivesse passado muito mais tempo e às vezes parece que foi ontem.

Acho que as mágoas, as brigas , as coisas ruins estão se apagando da minha memória. E por isso parece que foi há muito tempo.

E as vezes as coisas boas invadem o pensamento… e aí, parece que foi ontem.

Mas isso não faz meus dias serem tristes (não mais).
Eu to bem, estranhamente bem melhor do que achei que eu estaria.

Resiliência e a arte de recomeçar

Os primeiros dias que sucedem o fim de um “amor” são em geral, desesperadores.

Em especial se você ainda acreditava, mesmo que lá no fundo, bem no fundo, apesar de, que essa relação poderia funcionar.

Tudo ao seu redor mudou, nada mais é igual. Nem sua rotina, nem seus planos e até seus sonhos precisam ser reorganizados.

É como voar em menos de um segundo direto para olho de um furacão. Um total descontrole, caos e impossibilidade de ver o horizonte.

Os sentimentos ficam confusos e intensos.

É uma verdadeira gangorra emocional.

Um dia raiva, no outro culpa, no outro alívio e depois raiva de novo. O ciclo parece não ter fim.

Você se pergunta quando vai voltar a sorrir, a ser você mesma e a ver o céu azul de novo.

Não vou mentir,  você pode demorar dias, semanas, meses e até anos.

Meu melhor concelho pra você é: Respeite seu tempo.

Não importa oque dizem as fórmulas mágicas que você lê para ajudar a “superar” o fim de um amor.

A regra é, respeite seu tempo.

Você pode ficar semanas  sentindo-se morta por dentro. Você pode querer conhecer alguém logo, a final, pra muitos “um amor cura o outro”. Você pode viajar, ou se isolar no sofá acompanhada de Netflix e iFood.

Tanto faz a sua maneira de lidar com a dor, o que importa é respeitar o seu tempo, o seu limite e as suas emoções.

Acredite em mim, por mais dolorido que possa ser e não importa o quanto seu corpo dói, mesmo que pareça que seu coração vai parar de bater. Isso vai passar.

E quando passar, você vai voltar a ser aquela pessoa sorridente, cheia de planos e sonhos.

Porque resiliência é isso, voltar ao estado natural.

E por mais que você ache que as forças externas te deformarão, você vai descobrir que a sua alma é maior e mais resistente que todo o resto.

Eu te quis, mas…

Eu te quis, com todas as minhas forças, com toda minha alma e sem nenhuma restrição.

Eu fui totalmente entregue, totalmente presente e totalmente só sua.

Eu doei meu tempo, compartilhei meus sonhos e desejei um futuro como nunca havia feito antes.

Mas a vida é movimento, é mudança e é recomeço.

Eu te quis, por tudo que tu eras pra mim, por tudo que eu via em ti, por tudo que eu queria que nós fôssemos.

Mas não fomos.

Não éramos e tampouco seremos.

Eu te quis, sim,

Quis realizar todos os planos que sonhei contigo.

Mas não,

Eu não preciso de você.

Nunca precisei.

Eu apenas te queria.

Antes de dormir

A noite é sempre pior

Você invade meu pensamento

Dia a pós dia os sentimentos se acalmam, a alegria volta aos poucos e o coração fica mais leve

Já não é mais tão difícil achar motivos pra sorrir e aquela apatia vai escapando entre os dedos

A solidão já não dói, não incomoda e nem assusta como antes

A dor no peito se foi

As lágrimas secaram

O tempo de angústia acabou

Mas a noite, na hora de fechar os olhos, depois  de um longo suspiro, é sempre pior.

Quando o Amor Acaba

E num dia qualquer você acorda, sente sua cama vazia e nenhuma mensagem no seu celular.
E uma dor invade seu peito, e você se dá conta de que ele não está mais lá.
Você se pergunta, onde foi o fim? Quais sinais você não percebeu?
Nos últimos meses vocês se afastaram, noites solitárias em sua casa, sextas sem planos de se ver.
E ele dizia “ não é nada amor, nada com você” e você o olhava com ternura, querendo ajudar de alguma forma, se sentia impotente e por fim, o abraçava. O máximo que podia fazer.
Dias e dias se passam, um abismo sendo criado. Sentimento de solidão, solidão não solitária, solidão a dois.
E aqueles sorrisos ao te ver, a alegria, as confissões, a cumplicidade foram se perdendo no ar, dia a pós dia.
Onde começou o fim? Foi em uma palavra não dita, em um abraço não dado, ou nas brigas que hoje mal parecem ter existido?
Foi a falta do olho no olho, de verdade, de sentimento? Foi a falta de conversar, de se abrir, de sair da superfície?
Encontros, desencontros… Idas e vindas. Dores, mágoas… Até onde o “amor” resiste? Oque é o amor? Isso é amor?
Não sei. Talvez, meio amor, se isso existir.
Dia a pós dias as coisas vão ficando claras. Ah, o tempo! Nosso maior amigo, e nosso maior inimigo. Não posso me tele transportar pra daqui a 3 meses? Quando tudo isso será mais leve e mais fácil.
A verdade é que, existirão ainda muitos dias onde tudo que você vai querer é se arrastar da cama para o sofá, como um corpo sem alma, como um animal que apenas sobrevive.
Suas coisas espalhadas pela casa, sua geladeira vazia, mostram seu interior totalmente bagunçado, sem forças e sem vida.
Mas calma garota! Como eu disse, o tempo também é amigo. Terão dias em que você saberá que foi melhor. E se perguntará por que ainda sofre, por que a dor por algo que já não existia mais?
O tempo, e quanto tempo tens agora. Tanto que mal sabe o que fazer com ele.
Quem é você? Oque você gosta? Oque você quer?
Tempo de refletir, de organizar, de repensar e acima de tudo, de voltar a se amar. Porque sim, ele te destruiu por dentro, com cada palavra áspera, com cada julgamento ou com cada indiferença. Ele fez você sentir que não merecia, que não era boa o suficiente e fez você questionar coisas que sempre foram obvias. Ele fez você se sentir louca, te tirou o ar, o chão e o amor ao mesmo tempo. Isso tudo, estando com você.
Mas ele não fez por mal.
Nem mesmo percebia, isolado em seus pensamentos, em seus medos, em suas dúvidas.
Sentimento bagunçado, guardado longe dos olhos aonde não se pode chegar.
Um isolamento frio e silencioso, impenetrável.
O Querer e não querer, o mergulhar na superfície, a incerteza. O eu te amo pela metade, o estou aqui, mas não pra sempre.
O acúmulo de dores, mágoas e decepções.
Odiá-lo?
Como odiar se apesar de tudo, no fundo você sabia. A forma de te olhar, o silencio, a apatia…
Ele não estava feliz, e você sabia. Mas não sabia que o motivo maior, era você e todo esse abismo que foi sendo criado, sem perceber, sem planejar, sem querer.
Sua intuição é foda garota! Você sabia. Talvez sempre soubesse.
Dois mundos, dois pensamentos.
Foi amor, até deixar de ser.
Mas você viveu cada segundo, cada minuto com toda a sua verdade.
E foi lindo até onde pode.