A estranha sensação de não estar apaixonada.

Aqui estou eu.

Naquele estranho e necessário intervalo de tempo.

Sem aquela vontade de voltar ao passado e nem de reviver oque passou. (não mesmo)

E sem nenhuma pressa de começar uma nova história. (não mesmo)

Estranho. Sei que se você meu ex, lesse isso ,acharia estranho. Acho que você pensava que eu estaria triste querendo te ver, ou feliz curtindo todas as baladas ( ainda não sei porque você achava que seria assim), ou mais provavelmente, você pensou que eu logo estaria agarrada a alguém.

Eu entendo, eu tenho 33 anos, quero muito casar e ter filhos e sou uma romântica. Mas não tenho pressa. Se pareceu por vezes a você que eu tinha, era porque simplesmente acreditava na gente. E não por carência, desespero ou sei lá oque.

Sério, eu não tô com saco pra começar de novo, sabe?

Não, não é porque te quero ainda, não mesmo…

É porque não to com saco pra começar tudo de novo, me apresentar, apresentar família, mostrar a outra pessoa que eu sou confiável, amável e etc.

Sério, não to com saco.

Essa coisa de começar as vezes cansa.

E eu também não to afim de ter que me preocupar com isso agora. Conhecer, ficar com pé atrás e até confiar de novo… Meu Deus!

Ter que dar satisfação, me sentir controlada, presa a algo ou alguém.

Não quero, não agora.

Tô nesse estranho intervalo de tempo onde não me sinto apaixonada por ninguém.

Escuto músicas e não me vem mais você a mente e também não há outra pessoas a quem eu queira encaixar nas músicas.

E sabe que eu tô gostando?! Eu já tinha passado por isso a anos atrás, e tinha me esquecido como é bom não estar emocionalmente presa a alguém.

Como é bom tirar esse tempo só pra mim.

Mas claro, sei que um dia desses isso vai mudar, alguém vai me tirar o ar e óbvio que eu vou deixar , afinal, eu ainda sou aquela romântica.

Em um espaço de tempo só meu, mas ainda aquela romântica.

O instante exato

Quando a chave vira?

Quando o amor começa ou termina?

Qual foi a palavra, a atitude exata que te fez se apaixonar por alguém ou deixar de senti-lo?

Isso é tudo tão sutil.

Às vezes você nem percebe. Mas, no nosso caso eu lembro.

Eu lembro o dia, o momento exato em que você deixou de ser um amigo, e lá no meu interior eu te olhei com um desejo novo.

A chave virou em segundos.

Foi um domingo na praia. Te vi brincando com seus sobrinhos de um jeito tão amoroso que acho que despertou meu lado mais maternal  e  que nem eu sabia que tinha.

Engraçado eu saber disso, parece que ouvi  a moedinha caindo e naquela hora soube que íamos ter algo.

E vivemos um “amor”.

Entreguei-me de  corpo e alma até as entranhas e senti  como se aquilo fosse eterno.

Mas ao longo do caminho as coisas mudaram.

E ao contrário do começo eu não sei o instante exato em que acabou.

Mas de repente, ou melhor, depois de tantas coisas eu simplesmente não sinto mais.

Como num estalar de dedos, como num passe de mágica, a chave virou novamente.

Provavelmente não foi de um dia pro outro e muito menos mágica, mas sim, o resultado de vários e vários dias de isolamento e reflexão até meu coração aceitar o que minha cabeça dizia.

E assim, o ciclo finalmente termina.

E a vida segue.

E então, inesperadamente a chave do recomeço e de novas histórias se acendeu também.