O instante exato

Quando a chave vira?

Quando o amor começa ou termina?

Qual foi a palavra, a atitude exata que te fez se apaixonar por alguém ou deixar de senti-lo?

Isso é tudo tão sutil.

Às vezes você nem percebe. Mas, no nosso caso eu lembro.

Eu lembro o dia, o momento exato em que você deixou de ser um amigo, e lá no meu interior eu te olhei com um desejo novo.

A chave virou em segundos.

Foi um domingo na praia. Te vi brincando com seus sobrinhos de um jeito tão amoroso que acho que despertou meu lado mais maternal  e  que nem eu sabia que tinha.

Engraçado eu saber disso, parece que ouvi  a moedinha caindo e naquela hora soube que íamos ter algo.

E vivemos um “amor”.

Entreguei-me de  corpo e alma até as entranhas e senti  como se aquilo fosse eterno.

Mas ao longo do caminho as coisas mudaram.

E ao contrário do começo eu não sei o instante exato em que acabou.

Mas de repente, ou melhor, depois de tantas coisas eu simplesmente não sinto mais.

Como num estalar de dedos, como num passe de mágica, a chave virou novamente.

Provavelmente não foi de um dia pro outro e muito menos mágica, mas sim, o resultado de vários e vários dias de isolamento e reflexão até meu coração aceitar o que minha cabeça dizia.

E assim, o ciclo finalmente termina.

E a vida segue.

E então, inesperadamente a chave do recomeço e de novas histórias se acendeu também.

Um tempo para respirar

Eu não preciso de você, na verdade no momento não preciso de ninguém.

Eu até quero, mesmo, ter alguém de novo um dia. E acho mesmo que vou encontrar alguém que seja bom pra mim.

Mas eu não preciso agora.
Não preciso sair desesperada pra achar alguém para “ tampar” o buraco que você supostamente deixou, porque na verdade não há.
(Eu já curei minhas feridas)
Então, eu não tenho pressa.

Eu não fiz contas em aplicativos de namoro.
Não to caçando amigos de amigos.
E nem marcando encontros.
Até tem alguns ex ‘s paqueras que reapareceram e conversar as vezes é legal. Mas eu não quero nada agora.

Acho que há muito tempo eu não me sentia tão em paz.

Me sinto bem comigo mesma, com meu corpo, com quem eu sou e com a minha vida.

Tenho ocupado meu tempo com minhas coisas, cuidado de mim, da minha casa e focado no meu trabalho.

E quando a saudade vem, eu escrevo. Às vezes eu choro um pouquinho, porque sou humana e apesar de não parecer, não faz nem 2 meses que a gente se desconectou.

Pois é, isso é estranho também.
Faz menos de dois meses. Às vezes sinto como se tivesse passado muito mais tempo e às vezes parece que foi ontem.

Acho que as mágoas, as brigas , as coisas ruins estão se apagando da minha memória. E por isso parece que foi há muito tempo.

E as vezes as coisas boas invadem o pensamento… e aí, parece que foi ontem.

Mas isso não faz meus dias serem tristes (não mais).
Eu to bem, estranhamente bem melhor do que achei que eu estaria.

Resiliência e a arte de recomeçar

Os primeiros dias que sucedem o fim de um “amor” são em geral, desesperadores.

Em especial se você ainda acreditava, mesmo que lá no fundo, bem no fundo, apesar de, que essa relação poderia funcionar.

Tudo ao seu redor mudou, nada mais é igual. Nem sua rotina, nem seus planos e até seus sonhos precisam ser reorganizados.

É como voar em menos de um segundo direto para olho de um furacão. Um total descontrole, caos e impossibilidade de ver o horizonte.

Os sentimentos ficam confusos e intensos.

É uma verdadeira gangorra emocional.

Um dia raiva, no outro culpa, no outro alívio e depois raiva de novo. O ciclo parece não ter fim.

Você se pergunta quando vai voltar a sorrir, a ser você mesma e a ver o céu azul de novo.

Não vou mentir,  você pode demorar dias, semanas, meses e até anos.

Meu melhor concelho pra você é: Respeite seu tempo.

Não importa oque dizem as fórmulas mágicas que você lê para ajudar a “superar” o fim de um amor.

A regra é, respeite seu tempo.

Você pode ficar semanas  sentindo-se morta por dentro. Você pode querer conhecer alguém logo, a final, pra muitos “um amor cura o outro”. Você pode viajar, ou se isolar no sofá acompanhada de Netflix e iFood.

Tanto faz a sua maneira de lidar com a dor, o que importa é respeitar o seu tempo, o seu limite e as suas emoções.

Acredite em mim, por mais dolorido que possa ser e não importa o quanto seu corpo dói, mesmo que pareça que seu coração vai parar de bater. Isso vai passar.

E quando passar, você vai voltar a ser aquela pessoa sorridente, cheia de planos e sonhos.

Porque resiliência é isso, voltar ao estado natural.

E por mais que você ache que as forças externas te deformarão, você vai descobrir que a sua alma é maior e mais resistente que todo o resto.

Eu te quis, mas…

Eu te quis, com todas as minhas forças, com toda minha alma e sem nenhuma restrição.

Eu fui totalmente entregue, totalmente presente e totalmente só sua.

Eu doei meu tempo, compartilhei meus sonhos e desejei um futuro como nunca havia feito antes.

Mas a vida é movimento, é mudança e é recomeço.

Eu te quis, por tudo que tu eras pra mim, por tudo que eu via em ti, por tudo que eu queria que nós fôssemos.

Mas não fomos.

Não éramos e tampouco seremos.

Eu te quis, sim,

Quis realizar todos os planos que sonhei contigo.

Mas não,

Eu não preciso de você.

Nunca precisei.

Eu apenas te queria.

Antes de dormir

A noite é sempre pior

Você invade meu pensamento

Dia a pós dia os sentimentos se acalmam, a alegria volta aos poucos e o coração fica mais leve

Já não é mais tão difícil achar motivos pra sorrir e aquela apatia vai escapando entre os dedos

A solidão já não dói, não incomoda e nem assusta como antes

A dor no peito se foi

As lágrimas secaram

O tempo de angústia acabou

Mas a noite, na hora de fechar os olhos, depois  de um longo suspiro, é sempre pior.