O instante exato

Quando a chave vira?

Quando o amor começa ou termina?

Qual foi a palavra, a atitude exata que te fez se apaixonar por alguém ou deixar de senti-lo?

Isso é tudo tão sutil.

Às vezes você nem percebe. Mas, no nosso caso eu lembro.

Eu lembro o dia, o momento exato em que você deixou de ser um amigo, e lá no meu interior eu te olhei com um desejo novo.

A chave virou em segundos.

Foi um domingo na praia. Te vi brincando com seus sobrinhos de um jeito tão amoroso que acho que despertou meu lado mais maternal  e  que nem eu sabia que tinha.

Engraçado eu saber disso, parece que ouvi  a moedinha caindo e naquela hora soube que íamos ter algo.

E vivemos um “amor”.

Entreguei-me de  corpo e alma até as entranhas e senti  como se aquilo fosse eterno.

Mas ao longo do caminho as coisas mudaram.

E ao contrário do começo eu não sei o instante exato em que acabou.

Mas de repente, ou melhor, depois de tantas coisas eu simplesmente não sinto mais.

Como num estalar de dedos, como num passe de mágica, a chave virou novamente.

Provavelmente não foi de um dia pro outro e muito menos mágica, mas sim, o resultado de vários e vários dias de isolamento e reflexão até meu coração aceitar o que minha cabeça dizia.

E assim, o ciclo finalmente termina.

E a vida segue.

E então, inesperadamente a chave do recomeço e de novas histórias se acendeu também.

Quando o Amor Acaba

E num dia qualquer você acorda, sente sua cama vazia e nenhuma mensagem no seu celular.
E uma dor invade seu peito, e você se dá conta de que ele não está mais lá.
Você se pergunta, onde foi o fim? Quais sinais você não percebeu?
Nos últimos meses vocês se afastaram, noites solitárias em sua casa, sextas sem planos de se ver.
E ele dizia “ não é nada amor, nada com você” e você o olhava com ternura, querendo ajudar de alguma forma, se sentia impotente e por fim, o abraçava. O máximo que podia fazer.
Dias e dias se passam, um abismo sendo criado. Sentimento de solidão, solidão não solitária, solidão a dois.
E aqueles sorrisos ao te ver, a alegria, as confissões, a cumplicidade foram se perdendo no ar, dia a pós dia.
Onde começou o fim? Foi em uma palavra não dita, em um abraço não dado, ou nas brigas que hoje mal parecem ter existido?
Foi a falta do olho no olho, de verdade, de sentimento? Foi a falta de conversar, de se abrir, de sair da superfície?
Encontros, desencontros… Idas e vindas. Dores, mágoas… Até onde o “amor” resiste? Oque é o amor? Isso é amor?
Não sei. Talvez, meio amor, se isso existir.
Dia a pós dias as coisas vão ficando claras. Ah, o tempo! Nosso maior amigo, e nosso maior inimigo. Não posso me tele transportar pra daqui a 3 meses? Quando tudo isso será mais leve e mais fácil.
A verdade é que, existirão ainda muitos dias onde tudo que você vai querer é se arrastar da cama para o sofá, como um corpo sem alma, como um animal que apenas sobrevive.
Suas coisas espalhadas pela casa, sua geladeira vazia, mostram seu interior totalmente bagunçado, sem forças e sem vida.
Mas calma garota! Como eu disse, o tempo também é amigo. Terão dias em que você saberá que foi melhor. E se perguntará por que ainda sofre, por que a dor por algo que já não existia mais?
O tempo, e quanto tempo tens agora. Tanto que mal sabe o que fazer com ele.
Quem é você? Oque você gosta? Oque você quer?
Tempo de refletir, de organizar, de repensar e acima de tudo, de voltar a se amar. Porque sim, ele te destruiu por dentro, com cada palavra áspera, com cada julgamento ou com cada indiferença. Ele fez você sentir que não merecia, que não era boa o suficiente e fez você questionar coisas que sempre foram obvias. Ele fez você se sentir louca, te tirou o ar, o chão e o amor ao mesmo tempo. Isso tudo, estando com você.
Mas ele não fez por mal.
Nem mesmo percebia, isolado em seus pensamentos, em seus medos, em suas dúvidas.
Sentimento bagunçado, guardado longe dos olhos aonde não se pode chegar.
Um isolamento frio e silencioso, impenetrável.
O Querer e não querer, o mergulhar na superfície, a incerteza. O eu te amo pela metade, o estou aqui, mas não pra sempre.
O acúmulo de dores, mágoas e decepções.
Odiá-lo?
Como odiar se apesar de tudo, no fundo você sabia. A forma de te olhar, o silencio, a apatia…
Ele não estava feliz, e você sabia. Mas não sabia que o motivo maior, era você e todo esse abismo que foi sendo criado, sem perceber, sem planejar, sem querer.
Sua intuição é foda garota! Você sabia. Talvez sempre soubesse.
Dois mundos, dois pensamentos.
Foi amor, até deixar de ser.
Mas você viveu cada segundo, cada minuto com toda a sua verdade.
E foi lindo até onde pode.